Fala Manoelito
Fala Manoelito
Fala Manoelito

Crise Política e Desgaste da Gestão: os desafios do governo para manter sua base e recuperar a confianç




Nos últimos meses, o prefeito tem dado sinais claros de que está perdendo a sua base política. A cada dia, novos desgastes surgem e a pergunta que fica é: por quê? Falta de articulação? Falta de compromisso? Falta de consideração com aqueles que ajudaram a construir sua vitória?


Uma gestão eficiente depende de diálogo, respeito e da compreensão de que o Poder Legislativo é peça fundamental para a governabilidade. Quando essa relação se desgasta, as consequências vão muito além do ambiente político. Elas comprometem a administração e também enfraquecem o projeto eleitoral do grupo.


Há pouco mais de um ano, o prefeito ostentava uma aprovação superior a 80%. Hoje, o cenário é outro, marcado por um crescimento da rejeição e por uma perda contínua de apoio político.


O prefeito que antes contava com a maioria da Câmara de Vereadores, inclusive para fortalecer os projetos de seus candidatos a deputado estadual e federal, já não possui a mesma sustentação. Quando vereadores que integravam a base governista — inclusive quem exercia a liderança do governo — rompem com o Executivo, não rompem apenas uma relação institucional. Rompem também uma importante ponte de apoio político aos candidatos ligados ao governo.


Paralelamente a esse desgaste político, a própria gestão enfrenta um cenário de insatisfação. A população não enxerga novos projetos estruturantes, não vê iniciativas capazes de transformar a realidade do município e percebe um governo cada vez mais distante das comunidades. O contato com os bairros diminuiu, o diálogo com a população enfraqueceu e as demandas mais importantes continuam sem respostas.


Diante desse cenário, a pergunta é inevitável: será que o prefeito sabe fazer política? Tem habilidade para construir alianças e manter sua base? E, mais do que isso, será que compreendeu o que a população realmente espera de um gestor?


A impressão que fica é que a administração acredita que revitalizar praças, fazer intervenções estéticas e investir na aparência da cidade são suficientes para convencer a população de que a gestão está dando resultados. Mas uma cidade não se administra apenas com obras de embelezamento. A população espera avanços na saúde, na educação, na infraestrutura, na geração de oportunidades e em políticas públicas que melhorem, de fato, a vida das pessoas.


O que se observa é uma sequência de desgastes políticos e administrativos que fragiliza o governo, afasta aliados e coloca em dúvida sua capacidade de articulação e de entrega de resultados, comprometendo não apenas a gestão, mas também seus projetos eleitorais.


Manoelito Puentes

DR 6455

ENQUANTO EU PUDER SERVIR

 




Por Jabes Ribeiro


Quando me perguntam por que, depois de cinquenta anos de vida pública, continuo participando da política, debatendo os problemas da minha cidade, apoiando candidatos e defendendo ideias, minha resposta é simples: continuo acreditando nas pessoas e na capacidade da boa política de transformar vidas.



Nasci em uma família humilde. Sou filho de um operário, homem simples, trabalhador e honesto, que, ao lado da minha mãe, me ensinou, pelo exemplo, o valor da dignidade, da palavra e do trabalho.



Cheguei ainda jovem a Ilhéus, aos dezesseis anos.
Foi essa cidade que me acolheu, ofereceu-me oportunidades e deu sentido à minha vida pública. Tudo o que construí nasceu desse encontro entre a minha história e a história de Ilhéus, cidade bela e generosa que se aproxima dos seus quinhentos anos.



Aqui constituí minha família, fiz amigos e criei raízes. Ilhéus deu rumo à minha vida e sentido à minha caminhada.
O magistério e a advocacia ampliaram a minha compreensão do mundo.



Como professor da UESC e de outras instituições, aprendi que ensinar é também uma forma de servir.
Em 1976, iniciei minha caminhada partidária como candidato a vice-prefeito. Vieram, depois, a Secretaria Municipal de Educação, quatro mandatos como prefeito, o mandato de deputado federal, a Secretaria de Estado e outras responsabilidades que a vida pública me confiou. Nunca enxerguei esses cargos como títulos pessoais, mas como oportunidades de servir.



Ao longo dessa caminhada, procurei construir pontes, nunca muros. Sempre me defini como um social-democrata. Convivo com naturalidade e respeito tanto com a esquerda democrática quanto com a direita democrática, porque acredito que nenhuma sociedade prospera quando transforma adversários em inimigos.



A democracia não exige unanimidade; exige diálogo, respeito às diferenças e compromisso com as instituições. Para mim, a democracia sempre será inegociável.
Também aprendi que liderar não significa apenas convencer; significa, antes de tudo, saber ouvir. Talvez essa seja uma das maiores alegrias que a política ainda me proporciona: conversar com as pessoas, ouvir suas dificuldades, compreender seus sonhos, construir consensos, formar novas lideranças e renovar permanentemente um grupo político unido pelo amor a Ilhéus e pelo desejo de praticar uma política honrada.



Se me perguntarem qual legado gostaria de transmitir, responderei sem hesitação.
O primeiro é a opção permanente pelos que mais precisam. Tenho orgulho de iniciativas como o programa Viva o Morro, que levou urbanização, infraestrutura e dignidade aos moradores dos altos de Ilhéus, além de tantos programas sociais voltados às populações mais vulneráveis da sede e do interior do município. Governar só faz sentido quando melhora concretamente a vida das pessoas.



O segundo legado é a defesa da cultura. Sempre compreendi que uma cidade não vive apenas de obras. Vive também da memória, da educação, das artes e da preservação do patrimônio histórico e cultural. Um povo que conhece a sua história fortalece seu sentimento de pertencimento e encontra razões para construir um futuro melhor.



Reafirmo o meu compromisso inabalável com o Estado Democrático de Direito. Ao longo da vida, testemunhei momentos difíceis da história brasileira. Isso apenas reforçou minha convicção de que nenhuma causa política justifica o desrespeito às liberdades, às instituições e à Constituição.
A democracia é o único caminho capaz de permitir que as diferenças convivam em paz.



Hoje, aos setenta e quatro anos, continuo movido pela mesma esperança que inspirou os meus primeiros passos na vida pública. Já não me movem cargos nem honrarias. Move-me a convicção de que ainda posso contribuir com ideias, experiência, diálogo e equilíbrio para ajudar minha cidade e meu Estado.



As gerações mudam, os desafios se renovam, mas alguns valores permanecem eternos: ética, respeito, solidariedade, compromisso com os mais necessitados, amor pela cultura e defesa intransigente da democracia.



Continuo acreditando que vale a pena fazer política. Não qualquer política, mas aquela que aproxima em vez de dividir, que dialoga em vez de gritar, que acolhe em vez de excluir e que transforma a vida das pessoas. Essa foi a causa à qual dediquei a minha vida.
Jabes Ribeiro
Ilhéus, agosto de 2026

E, enquanto eu puder servir, continuará sendo.


Manoelito Puentes

DRT 6455

ENTRE A EXPERIÊNCIA E O FUTURO, JABES RIBEIRO REAFIRMA O PAPEL DO PROGRESSISTAS NA CONSTRUÇÃO DE ILHÉUS




Cinco décadas após ingressar na vida pública, o ex-prefeito de Ilhéus revisita sua trajetória, esclarece o papel do Progressistas na gestão Valderico Júnior e defende o diálogo, a política de coalizão e o planejamento como fundamentos para o desenvolvimento do município.

Há entrevistas que respondem perguntas. Outras acabam registrando um momento político. A conversa do ex-prefeito de Ilhéus e secretário-geral do Progressistas na Bahia, Jabes Sousa Ribeiro, com os jornalistas Adilson Neves e Rildo Mota, no programa Falando Direito, da Rádio Baiana, pertence à segunda categoria. 


Ao longo da entrevista, o político que completa cinquenta anos de vida pública falou sobre governabilidade, alianças, cultura, planejamento, desenvolvimento regional e eleições. Mais do que comentar o cenário político, apresentou uma visão de governo baseada na convivência entre diferentes correntes políticas, no respeito institucional e na construção de consensos.



As especulações surgidas nos últimos meses sobre um suposto enfraquecimento da relação entre o Progressistas e a administração do prefeito Valderico Júnior ocuparam parte da entrevista, mas estiveram longe de dominar a conversa. Jabes preferiu contextualizar o funcionamento de governos de coalizão, lembrando que diferenças nas eleições proporcionais jamais significaram, em sua experiência política, ruptura entre aliados.



“A gente fez uma aliança para apoiar o governo. Nós ajudamos a eleger o prefeito e passamos a participar da gestão. Isso sempre esteve muito claro”, afirmou.

Segundo ele, o compromisso firmado durante a eleição municipal permanece preservado e se materializa na participação do Progressistas em áreas estratégicas da administração. O partido ocupa atualmente três secretarias municipais

Infraestrutura e Serviços Urbanos, Cultura e Promoção Social comandadas, respectivamente, por Cacá Colchões, Marleide e Sayonara Machado, nomes que, segundo o ex-prefeito, representam a confiança construída entre as duas forças políticas.

Ao ser questionado se participa das decisões do governo, respondeu com uma frase que sintetiza sua postura diante da administração municipal.



“Eu me sinto representado pelos nossos secretários.”

Sem reivindicar protagonismo, deixou claro que acompanha o cotidiano da gestão por intermédio de seus auxiliares e do diálogo permanente mantido com vereadores, lideranças comunitárias e integrantes do partido.



Coalizão exige maturidade política

Um dos pontos centrais da entrevista foi a tentativa de explicar que alianças eleitorais não anulam a autonomia partidária nas disputas proporcionais. Para Jabes, é natural que legendas integrantes de um mesmo governo apoiem candidatos diferentes para deputado estadual e federal, desde que preservem o compromisso firmado em torno da administração municipal.



Ao recordar suas próprias gestões, citou experiências em que partidos aliados seguiram caminhos distintos durante campanhas legislativas sem que isso comprometesse a estabilidade do governo.



O Progressistas, explicou, definiu apoio às candidaturas de Cacá Leão para deputado federal e Igor Domingues para deputado estadual, escolhas fundamentadas, segundo ele, tanto pela relação política construída ao longo dos anos quanto pela capacidade de ambos ampliarem a interlocução institucional de Ilhéus junto aos governos estadual e federal.

A divergência de apoios dentro da base, afirmou, não representa conflito.



“Terminadas as eleições, vamos sentar, conversar e discutir política. É assim que funciona.”

Ao longo da entrevista, repetiu diversas vezes que não pretende alimentar disputas internas nem transformar diferenças eleitorais em crise política.



“Eu não quero briga e nem alimento isso.”

A mensagem foi acompanhada por outra reflexão que atravessou praticamente toda a conversa.


“Se der certo, é bom para Ilhéus. Se der errado, é ruim para todos.”

Mais do que uma defesa da administração, a frase resume a compreensão de Jabes sobre governos de coalizão: quem participa de uma gestão compartilha também a responsabilidade por seus resultados.



Experiência colocada a serviço da cidade

Em diversos momentos, os entrevistadores lembraram que Jabes liderava pesquisas antes de retirar sua candidatura para apoiar Valderico Júnior e destacaram sua trajetória de dezoito anos à frente da Prefeitura de Ilhéus.



O ex-prefeito, entretanto, evitou transformar o passado em argumento político. Preferiu falar do presente e dos desafios futuros, demonstrando preocupação com projetos estruturantes capazes de modificar a realidade econômica do município.

Entre eles, voltou a defender a implantação de um Hospital da Mulher, a consolidação da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), do Porto Sul e da Zona de Processamento de Exportação (ZPE), iniciativas que considera decisivas para ampliar a geração de emprego, renda e desenvolvimento regional.



Ao comentar a administração municipal, afirmou perceber cobranças naturais da população, mas observou que ainda existe expectativa em relação aos resultados do governo.

“Quando você apoia um governo, assume também responsabilidades.”

Disse torcer para que as respostas cheguem antes que a expectativa popular se transforme em frustração.



Cultura como identidade de uma cidade

Se houve um momento em que a entrevista deixou a política eleitoral em segundo plano, foi quando Jabes falou sobre patrimônio histórico e cultura.

Ao recordar investimentos realizados durante suas administrações, lamentou a degradação de alguns equipamentos públicos, mas demonstrou confiança nos projetos atualmente discutidos para sua recuperação.



Foi nesse contexto que sintetizou uma concepção construída ao longo de sua trajetória administrativa.



“Quem cuida da cultura cuida da história, cuida do pertencimento, cuida da alma da cidade.”



A declaração ajuda a compreender por que a área cultural ocupou lugar de destaque em seus governos e continua presente em sua visão sobre o futuro de Ilhéus.

Política sem ódio



Ao abordar o cenário estadual, Jabes reafirmou o apoio do Progressistas baiano à candidatura de ACM Neto ao Governo do Estado e às candidaturas proporcionais homologadas pela legenda.



Ao mesmo tempo, fez questão de distinguir divergências políticas de relações pessoais.

“Não faço política com ódio.”



Lembrou sua convivência institucional com lideranças como Jerônimo Rodrigues, Rui Costa e Jaques Wagner, afirmando manter respeito por todos, apesar das diferenças políticas que levaram o partido a romper com o governo estadual.



Na eleição presidencial, explicou que a direção nacional do Progressistas optou por não apoiar oficialmente nenhum candidato, deixando estados, municípios e filiados livres para fazerem suas escolhas.

Questionado sobre seu voto pessoal, preferiu manter a tradição democrática.

“O voto é secreto.”



Reconheceu possuir uma inclinação política de centro-esquerda, mas fez questão de ressaltar que essa posição não representa orientação partidária para os integrantes do Progressistas em Ilhéus.



Cinquenta anos depois


Ao final da entrevista, Jabes Ribeiro voltou os olhos para a própria trajetória.

Recordou sua primeira candidatura, em 1976, ainda pelo antigo MDB, durante o período do regime militar, e afirmou continuar movido pela mesma convicção que o levou à vida pública.



“A política foi a forma que encontrei de servir.”

A declaração encerra uma conversa que, embora tenha começado tratando de eleições e alianças, terminou refletindo sobre permanência, compromisso público e futuro.

Aos 76 anos, Jabes Ribeiro continua demonstrando que compreende a política como um exercício de permanência, e não de circunstância. Ao longo da entrevista, revisitou lembranças, projetou novos caminhos para Ilhéus e reafirmou convicções construídas ao longo de uma trajetória marcada pela administração pública, pelo diálogo e pela formação de alianças. 


Mais do que comentar o presente, ofereceu ao público uma reflexão sobre o papel das lideranças na construção do futuro. Em tempos de discursos cada vez mais imediatistas, deixou registrada uma ideia simples, porém duradoura: cidades não se transformam apenas pela força das urnas, mas pela capacidade de seus representantes cultivarem entendimento, planejamento e compromisso com as próximas gerações.


Créditos: Thiago Borges


Manoelito Puentes

DRT 6455

ENQUANTO EU PUDER SERVIR

 


Por Jabes Ribeiro

Quando me perguntam por que, depois de cinquenta anos de vida pública, continuo participando da política, debatendo os problemas da minha cidade, apoiando candidatos e defendendo ideias, minha resposta é simples: continuo acreditando nas pessoas e na capacidade da boa política de transformar vidas.

Nasci em uma família humilde. Sou filho de um operário, homem simples, trabalhador e honesto, que, ao lado da minha mãe, me ensinou, pelo exemplo, o valor da dignidade, da palavra e do trabalho.
Cheguei ainda jovem a Ilhéus, aos dezesseis anos.

Foi essa cidade que me acolheu, ofereceu-me oportunidades e deu sentido à minha vida pública. Tudo o que construí nasceu desse encontro entre a minha história e a história de Ilhéus, cidade bela e generosa que se aproxima dos seus quinhentos anos.

Aqui constituí minha família, fiz amigos e criei raízes. Ilhéus deu rumo à minha vida e sentido à minha caminhada.

O magistério e a advocacia ampliaram a minha compreensão do mundo.

Como professor da UESC e de outras instituições, aprendi que ensinar é também uma forma de servir.
Em 1976, iniciei minha caminhada partidária como candidato a vice-prefeito. Vieram, depois, a Secretaria Municipal de Educação, quatro mandatos como prefeito, o mandato de deputado federal, a Secretaria de Estado e outras responsabilidades que a vida pública me confiou. Nunca enxerguei esses cargos como títulos pessoais, mas como oportunidades de servir.

Ao longo dessa caminhada, procurei construir pontes, nunca muros. Sempre me defini como um social-democrata. Convivo com naturalidade e respeito tanto com a esquerda democrática quanto com a direita democrática, porque acredito que nenhuma sociedade prospera quando transforma adversários em inimigos.

A democracia não exige unanimidade; exige diálogo, respeito às diferenças e compromisso com as instituições. Para mim, a democracia sempre será inegociável.

Também aprendi que liderar não significa apenas convencer; significa, antes de tudo, saber ouvir. Talvez essa seja uma das maiores alegrias que a política ainda me proporciona: conversar com as pessoas, ouvir suas dificuldades, compreender seus sonhos, construir consensos, formar novas lideranças e renovar permanentemente um grupo político unido pelo amor a Ilhéus e pelo desejo de praticar uma política honrada.

Se me perguntarem qual legado gostaria de transmitir, responderei sem hesitação.
O primeiro é a opção permanente pelos que mais precisam. Tenho orgulho de iniciativas como o programa Viva o Morro, que levou urbanização, infraestrutura e dignidade aos moradores dos altos de Ilhéus, além de tantos programas sociais voltados às populações mais vulneráveis da sede e do interior do município. Governar só faz sentido quando melhora concretamente a vida das pessoas.

O segundo legado é a defesa da cultura. Sempre compreendi que uma cidade não vive apenas de obras. Vive também da memória, da educação, das artes e da preservação do patrimônio histórico e cultural. Um povo que conhece a sua história fortalece seu sentimento de pertencimento e encontra razões para construir um futuro melhor.

Reafirmo o meu compromisso inabalável com o Estado Democrático de Direito. Ao longo da vida, testemunhei momentos difíceis da história brasileira. Isso apenas reforçou minha convicção de que nenhuma causa política justifica o desrespeito às liberdades, às instituições e à Constituição.
A democracia é o único caminho capaz de permitir que as diferenças convivam em paz.

Hoje, aos setenta e quatro anos, continuo movido pela mesma esperança que inspirou os meus primeiros passos na vida pública. Já não me movem cargos nem honrarias. Move-me a convicção de que ainda posso contribuir com ideias, experiência, diálogo e equilíbrio para ajudar minha cidade e meu Estado.

As gerações mudam, os desafios se renovam, mas alguns valores permanecem eternos: ética, respeito, solidariedade, compromisso com os mais necessitados, amor pela cultura e defesa intransigente da democracia.

Continuo acreditando que vale a pena fazer política. Não qualquer política, mas aquela que aproxima em vez de dividir, que dialoga em vez de gritar, que acolhe em vez de excluir e que transforma a vida das pessoas. Essa foi a causa à qual dediquei a minha vida.

 

E, enquanto eu puder servir, continuará sendo.
Jabes Ribeiro
Ilhéus, agosto de 2026

Imagem : Jabes Ribeiro

Ilhéus: SESAB deve mais de 40 milhões a FABAMED e empresa pode demitir 20% dos funcionários do Hospital Costa do Cacau



A empresa – FABAMED (Fundação ABM de Pesquisa e Extensão na Área da Saúde) é uma entidade sem fins lucrativos criada pela Associação Baiana de Medicina em 2001, atuando na gestão de unidades de saúde públicas e privadas na Bahia.

Esta entidade tem um capital para receber na ordem de quarenta milhões, do governo do estado, caso não receba – isso implicará na demissão em massa dos servidores de alguns hospitais, um deles pode ser o Hospital Costa do Cacau. A referida divida, se dá através da empresa para com a gestão em toda Bahia.

Recentemente o Diretor médico  responsável pela equipe de ortopedia do (HRRCC), foi demitido por cobrar os salários dos médicos que estavam atrasados há três meses.  A referida cobrança se deu no grupo de redes sociais da chefia dos médicos. Assim sendo, houve por parte da direção uma certa chateação que culminou na dispensa do referido profissional responsável pelo setor medico de traumas.

O Hospital funciona como uma base central da Saúde do interior da Bahia, na região sul é um dos únicos instrumentos que está acolhendo toda população de Ilhéus e  no entorno que procura o SUS – no seu dia-dia,  mais de setenta municípios dentro da alta e média complexidade são atendidos.

A matéria “ Texto ” se pauta na verdade, e tem como base de sustentação o sofrimento dos funcionários que há  meses vem tendo negado seu direito de receber os seus proventos, prova disso, é um vídeo que nos enviaram com relatos de uma pessoa que contesta o não recebimento dos pagamentos dos médicos.  Não deixe de vê abaixo, o vídeo da Vereadora abrindo o leia mais.

A fala da referida senhora, bem como as manifestações do sindicato, no seu dia a dia prova nossa denúncia, jogando por terra o negacionismo por parte da direção do órgão, que ao inverso de mostrar a transparência dos fatos, tenta esconder a verdade, e busca macular a imagem de um veículo que nunca agrediu ninguém, nunca fez acusações sem provas, ou tentou de forma descabida jogar mentiras no ar.

Sabemos da importância do referido Hospital enquanto instrumento de convivência social salvando vidas, por isso lutamos pele seu bom funcionamento, não fazemos nenhum tipo de achincalhe, ou coisa que o desmereça, esse não é, nem nunca será nosso propósito,

Lamentamos o posicionamento do órgão que ao inverso de se manifestar dentro da oportunidade de responder o que de fato está acontecendo, tenta desqualificar o texto denunciante.


Créditos: Luke Rei


Manoelito Puentes 

DRT 6455

FIGURAS DA NOSSA TERRA


Imagem: Luciano Gusmão

Capítulo 1 — O Profeta

Personagens reais que ajudaram a construir a memória afetiva de Ilhéus

Dizem que recusou uma vida de regalias para viver na simplicidade, encontrando na própria solitude o conforto que muitos jamais encontrariam em palácios. Preferiu a reclusão voluntária, como os antigos eremitas, fazendo do silêncio a sua companhia, da liberdade o seu patrimônio e da contemplação uma filosofia de vida. Talvez por isso ninguém jamais tenha conseguido explicar quem realmente foi Seu Luís. Em uma cidade onde realidade e ficção caminham de mãos dadas desde Jorge Amado, ele deixou de ser apenas um homem para transformar-se em lenda.

Toda cidade possui ruas, praças, monumentos e prédios históricos. Mas apenas algumas são capazes de transformar pessoas comuns em personagens eternos. Ilhéus sempre foi assim. Antes mesmo de Jorge Amado imortalizar seus coronéis, prostitutas, pescadores e sonhadores, a cidade já colecionava figuras que pareciam ter escapado das páginas de um romance. Homens e mulheres que nunca ocuparam cargos públicos, jamais receberam homenagens oficiais, mas conquistaram aquilo que poucos alcançam: permanecer vivos na memória de um povo.

Entre todos eles, talvez nenhum tenha sido tão misterioso quanto aquele homem que caminhava lentamente pelas ruas do centro com um cajado nas mãos, longas madeixas lembrando um rastafári, barba branca dividida ao meio, óculos cuidadosamente remendados com fita adesiva e vestes que recordavam os antigos franciscanos. Seu semblante misturava serenidade e distância, como se enxergasse um mundo invisível aos olhos da maioria. Chamava-se Luís. Mas para Ilhéus ele nunca precisou de sobrenome. Bastava dizer: "Lá vai o Profeta."

Quem estudou nas imediações do Ginásio de Esportes Herval Soledade entre as décadas de 1980, 1990 e o início dos anos 2000 certamente cruzou com ele inúmeras vezes. Eu fui um desses estudantes. Passei pela Escola Municipal Heitor Dias, pela Escola Perpétua Marques, pela Cruzada do Bem e pelo Instituto Municipal de Ensino. Em todas essas escolas havia uma certeza silenciosa: em algum momento do dia encontraríamos aquela figura caminhando calmamente pelas ruas ou recolhida em seu pequeno abrigo.

Seu lar não era exatamente um barraco.

Era um pequeno refúgio improvisado, discretamente escondido sob a escadaria lateral do Ginásio Herval Soledade. Tão discreto que muitos atravessavam diariamente aquele espaço sem imaginar que ali vivia alguém. Talvez justamente por isso tenha permanecido tantos anos naquele lugar. Nunca incomodava ninguém. Não pedia esmolas. Não fazia algazarra. Parecia existir um acordo invisível entre a cidade e aquele homem que havia decidido viver às margens do mundo sem jamais abandonar Ilhéus.

As crianças, naturalmente inquietas, nem sempre compreendiam aquele silêncio. Corriam atrás dele, gritavam "Beato Salu!", repetindo uma expressão popular da época, jogavam pequenas pedras e faziam travessuras próprias da infância. Ele raramente respondia com irritação. Na maioria das vezes limitava-se a seguir seu caminho, protegido por uma serenidade que parecia impossível de ser abalada. Quando respondia, quase sempre era através de frases que mais pareciam provérbios.

Eram justamente essas palavras que alimentavam o mito.

Contavam que falava iorubá com impressionante naturalidade. Outros garantiam que dominava filosofia e teologia como poucos professores universitários. Havia quem jurasse que conhecia profundamente as Escrituras Sagradas e discutia religião com sacerdotes, pastores e estudiosos. Ninguém sabia exatamente onde aprendera tanto. Também ninguém sabia ao certo se tudo aquilo era verdade. Mas, em Ilhéus, algumas histórias jamais precisaram de provas para continuarem vivas.

O ilheense Anacleto Barreiros, que conviveu com Seu Luís durante muitos anos, preserva algumas lembranças preciosas daquele convívio. Quando alguém lhe desejava bom dia, respondia com humildade desconcertante:

"Deus lhe responde por mim, porque eu sou pequeno."

Ao ver Anacleto aproximando-se, brincava sorrindo:

"Anacleto, Anacleto... não bula comigo que eu tô quieto."

Quando desejava criticar alguém que exercia mal determinada função, improvisava:

"Se não dá pro fubá, desocupa o lugar. Sai do carreiro e deixa pra quem pode passar."

Mas o Profeta também revelava um humor inesperado. Certa vez, durante uma competição esportiva no ginásio, vendo um grupo de moças atravessar a praça, deixou escapar uma rima que até hoje provoca sorrisos em quem a escutou:

"Quanta roça de mandioca... quanta fome de farinha... tanta menina bonita e eu não sei qual é a minha."

Era impossível enquadrá-lo em qualquer definição.

Era mendigo?

Filósofo?

Religioso?

Poeta?

Louco?

Sábio?

Talvez fosse um pouco de tudo.

Talvez fosse apenas um homem que decidiu viver segundo regras que somente ele compreendia.

O saudoso médico Dr. José Lourenço parecia enxergar justamente isso. Atendia Seu Luís sempre que necessário e, discretamente, providenciava roupas confeccionadas especialmente no mesmo estilo das vestes que ele costumava usar. Não tentava transformá-lo em outra pessoa. Apenas respeitava sua forma de existir.

E foi justamente esse respeito que fez nascer ainda mais histórias.

Diziam que parentes ricos o visitavam frequentemente tentando convencê-lo a abandonar aquela vida. Outros afirmavam que ele era herdeiro de uma grande fortuna. Havia ainda quem garantisse que possuía um filho policial militar em Itabuna. Anos depois surgiria outra versão: teria finalmente recebido uma vultosa herança, casado e ido viver tranquilamente em uma fazenda na região de Vitória da Conquista.

Verdade?

Lenda?

Memória?

Em Ilhéus essas fronteiras sempre foram delicadas.

Talvez por isso o escritor, dramaturgo e imortal da Academia de Letras de Ilhéus, Pawlo Cidade, tenha encontrado justamente em Seu Luís a inspiração para um dos personagens mais emblemáticos de seu romance O Povoado das 11 Mil Virgens, onde um misterioso profeta surge trazendo notícias que alteram o destino de toda uma comunidade. A literatura apenas fez aquilo que a cidade já havia feito muito antes: transformou um homem real em personagem.

E um personagem em patrimônio afetivo.

Depois de tantos anos convivendo silenciosamente com a cidade, Seu Luís desapareceu da mesma forma como chegou.

Sem despedidas.

Sem explicações.

Sem deixar rastros.

Hoje, onde existia aquele pequeno abrigo escondido sob a escadaria do Ginásio Herval Soledade, funciona a sede da Guarda Municipal de Ilhéus. O barraco desapareceu. A escadaria permanece. O ginásio continua recebendo atletas, estudantes e moradores. Mas quem viveu aquela época ainda consegue enxergar, através da memória, um homem caminhando lentamente com seu cajado, seus óculos remendados e um olhar perdido em horizontes que talvez apenas ele fosse capaz de contemplar.

Talvez Seu Luís nunca tenha desejado ser lembrado. Talvez buscasse apenas a paz que o mundo moderno insiste em negar. Mas cidades possuem um curioso hábito: eternizam justamente aqueles que nunca procuraram fama. Restaram poucas fotografias, alguns relatos, incontáveis histórias e um mistério que talvez jamais seja solucionado. Afinal, o Profeta existiu. Disso ninguém duvida. O que permanece envolto em névoa é tudo aquilo que a cidade acrescentou à sua história ao longo dos anos.

E talvez seja exatamente isso que o torne inesquecível.

Porque algumas pessoas passam pela vida.

Outras passam a fazer parte da alma de uma cidade.

Seu Luís, o Profeta, pertence definitivamente à segunda categoria.

---

Crédito especial: Esta publicação foi produzida com a colaboração do extraordinário acervo da página Memória Visual de Ilhéus, idealizada e mantida por Carlos Mascarenhas, cujo trabalho de preservação da história e da memória afetiva do povo ilheense merece reconhecimento e gratidão.

---

OLHAR PÚBLICO

"Onde a informação encontra a reflexão."

Thiago Viana Borges
Gestor Público (Aposentado) • Professor de Letras Vernáculas e Inglês • Editor • Redator e Consultor Político.


Manoelito Puentes

DRT 6455
 

Carregar Mais
Isso é Tudo