Fala Manoelito
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Ilhéus: SESAB deve mais de 40 milhões a FABAMED e empresa pode demitir 20% dos funcionários do Hospital Costa do Cacau



A empresa – FABAMED (Fundação ABM de Pesquisa e Extensão na Área da Saúde) é uma entidade sem fins lucrativos criada pela Associação Baiana de Medicina em 2001, atuando na gestão de unidades de saúde públicas e privadas na Bahia.

Esta entidade tem um capital para receber na ordem de quarenta milhões, do governo do estado, caso não receba – isso implicará na demissão em massa dos servidores de alguns hospitais, um deles pode ser o Hospital Costa do Cacau. A referida divida, se dá através da empresa para com a gestão em toda Bahia.

Recentemente o Diretor médico  responsável pela equipe de ortopedia do (HRRCC), foi demitido por cobrar os salários dos médicos que estavam atrasados há três meses.  A referida cobrança se deu no grupo de redes sociais da chefia dos médicos. Assim sendo, houve por parte da direção uma certa chateação que culminou na dispensa do referido profissional responsável pelo setor medico de traumas.

O Hospital funciona como uma base central da Saúde do interior da Bahia, na região sul é um dos únicos instrumentos que está acolhendo toda população de Ilhéus e  no entorno que procura o SUS – no seu dia-dia,  mais de setenta municípios dentro da alta e média complexidade são atendidos.

A matéria “ Texto ” se pauta na verdade, e tem como base de sustentação o sofrimento dos funcionários que há  meses vem tendo negado seu direito de receber os seus proventos, prova disso, é um vídeo que nos enviaram com relatos de uma pessoa que contesta o não recebimento dos pagamentos dos médicos.  Não deixe de vê abaixo, o vídeo da Vereadora abrindo o leia mais.

A fala da referida senhora, bem como as manifestações do sindicato, no seu dia a dia prova nossa denúncia, jogando por terra o negacionismo por parte da direção do órgão, que ao inverso de mostrar a transparência dos fatos, tenta esconder a verdade, e busca macular a imagem de um veículo que nunca agrediu ninguém, nunca fez acusações sem provas, ou tentou de forma descabida jogar mentiras no ar.

Sabemos da importância do referido Hospital enquanto instrumento de convivência social salvando vidas, por isso lutamos pele seu bom funcionamento, não fazemos nenhum tipo de achincalhe, ou coisa que o desmereça, esse não é, nem nunca será nosso propósito,

Lamentamos o posicionamento do órgão que ao inverso de se manifestar dentro da oportunidade de responder o que de fato está acontecendo, tenta desqualificar o texto denunciante.


Créditos: Luke Rei


Manoelito Puentes 

DRT 6455

FIGURAS DA NOSSA TERRA


Imagem: Luciano Gusmão

Capítulo 1 — O Profeta

Personagens reais que ajudaram a construir a memória afetiva de Ilhéus

Dizem que recusou uma vida de regalias para viver na simplicidade, encontrando na própria solitude o conforto que muitos jamais encontrariam em palácios. Preferiu a reclusão voluntária, como os antigos eremitas, fazendo do silêncio a sua companhia, da liberdade o seu patrimônio e da contemplação uma filosofia de vida. Talvez por isso ninguém jamais tenha conseguido explicar quem realmente foi Seu Luís. Em uma cidade onde realidade e ficção caminham de mãos dadas desde Jorge Amado, ele deixou de ser apenas um homem para transformar-se em lenda.

Toda cidade possui ruas, praças, monumentos e prédios históricos. Mas apenas algumas são capazes de transformar pessoas comuns em personagens eternos. Ilhéus sempre foi assim. Antes mesmo de Jorge Amado imortalizar seus coronéis, prostitutas, pescadores e sonhadores, a cidade já colecionava figuras que pareciam ter escapado das páginas de um romance. Homens e mulheres que nunca ocuparam cargos públicos, jamais receberam homenagens oficiais, mas conquistaram aquilo que poucos alcançam: permanecer vivos na memória de um povo.

Entre todos eles, talvez nenhum tenha sido tão misterioso quanto aquele homem que caminhava lentamente pelas ruas do centro com um cajado nas mãos, longas madeixas lembrando um rastafári, barba branca dividida ao meio, óculos cuidadosamente remendados com fita adesiva e vestes que recordavam os antigos franciscanos. Seu semblante misturava serenidade e distância, como se enxergasse um mundo invisível aos olhos da maioria. Chamava-se Luís. Mas para Ilhéus ele nunca precisou de sobrenome. Bastava dizer: "Lá vai o Profeta."

Quem estudou nas imediações do Ginásio de Esportes Herval Soledade entre as décadas de 1980, 1990 e o início dos anos 2000 certamente cruzou com ele inúmeras vezes. Eu fui um desses estudantes. Passei pela Escola Municipal Heitor Dias, pela Escola Perpétua Marques, pela Cruzada do Bem e pelo Instituto Municipal de Ensino. Em todas essas escolas havia uma certeza silenciosa: em algum momento do dia encontraríamos aquela figura caminhando calmamente pelas ruas ou recolhida em seu pequeno abrigo.

Seu lar não era exatamente um barraco.

Era um pequeno refúgio improvisado, discretamente escondido sob a escadaria lateral do Ginásio Herval Soledade. Tão discreto que muitos atravessavam diariamente aquele espaço sem imaginar que ali vivia alguém. Talvez justamente por isso tenha permanecido tantos anos naquele lugar. Nunca incomodava ninguém. Não pedia esmolas. Não fazia algazarra. Parecia existir um acordo invisível entre a cidade e aquele homem que havia decidido viver às margens do mundo sem jamais abandonar Ilhéus.

As crianças, naturalmente inquietas, nem sempre compreendiam aquele silêncio. Corriam atrás dele, gritavam "Beato Salu!", repetindo uma expressão popular da época, jogavam pequenas pedras e faziam travessuras próprias da infância. Ele raramente respondia com irritação. Na maioria das vezes limitava-se a seguir seu caminho, protegido por uma serenidade que parecia impossível de ser abalada. Quando respondia, quase sempre era através de frases que mais pareciam provérbios.

Eram justamente essas palavras que alimentavam o mito.

Contavam que falava iorubá com impressionante naturalidade. Outros garantiam que dominava filosofia e teologia como poucos professores universitários. Havia quem jurasse que conhecia profundamente as Escrituras Sagradas e discutia religião com sacerdotes, pastores e estudiosos. Ninguém sabia exatamente onde aprendera tanto. Também ninguém sabia ao certo se tudo aquilo era verdade. Mas, em Ilhéus, algumas histórias jamais precisaram de provas para continuarem vivas.

O ilheense Anacleto Barreiros, que conviveu com Seu Luís durante muitos anos, preserva algumas lembranças preciosas daquele convívio. Quando alguém lhe desejava bom dia, respondia com humildade desconcertante:

"Deus lhe responde por mim, porque eu sou pequeno."

Ao ver Anacleto aproximando-se, brincava sorrindo:

"Anacleto, Anacleto... não bula comigo que eu tô quieto."

Quando desejava criticar alguém que exercia mal determinada função, improvisava:

"Se não dá pro fubá, desocupa o lugar. Sai do carreiro e deixa pra quem pode passar."

Mas o Profeta também revelava um humor inesperado. Certa vez, durante uma competição esportiva no ginásio, vendo um grupo de moças atravessar a praça, deixou escapar uma rima que até hoje provoca sorrisos em quem a escutou:

"Quanta roça de mandioca... quanta fome de farinha... tanta menina bonita e eu não sei qual é a minha."

Era impossível enquadrá-lo em qualquer definição.

Era mendigo?

Filósofo?

Religioso?

Poeta?

Louco?

Sábio?

Talvez fosse um pouco de tudo.

Talvez fosse apenas um homem que decidiu viver segundo regras que somente ele compreendia.

O saudoso médico Dr. José Lourenço parecia enxergar justamente isso. Atendia Seu Luís sempre que necessário e, discretamente, providenciava roupas confeccionadas especialmente no mesmo estilo das vestes que ele costumava usar. Não tentava transformá-lo em outra pessoa. Apenas respeitava sua forma de existir.

E foi justamente esse respeito que fez nascer ainda mais histórias.

Diziam que parentes ricos o visitavam frequentemente tentando convencê-lo a abandonar aquela vida. Outros afirmavam que ele era herdeiro de uma grande fortuna. Havia ainda quem garantisse que possuía um filho policial militar em Itabuna. Anos depois surgiria outra versão: teria finalmente recebido uma vultosa herança, casado e ido viver tranquilamente em uma fazenda na região de Vitória da Conquista.

Verdade?

Lenda?

Memória?

Em Ilhéus essas fronteiras sempre foram delicadas.

Talvez por isso o escritor, dramaturgo e imortal da Academia de Letras de Ilhéus, Pawlo Cidade, tenha encontrado justamente em Seu Luís a inspiração para um dos personagens mais emblemáticos de seu romance O Povoado das 11 Mil Virgens, onde um misterioso profeta surge trazendo notícias que alteram o destino de toda uma comunidade. A literatura apenas fez aquilo que a cidade já havia feito muito antes: transformou um homem real em personagem.

E um personagem em patrimônio afetivo.

Depois de tantos anos convivendo silenciosamente com a cidade, Seu Luís desapareceu da mesma forma como chegou.

Sem despedidas.

Sem explicações.

Sem deixar rastros.

Hoje, onde existia aquele pequeno abrigo escondido sob a escadaria do Ginásio Herval Soledade, funciona a sede da Guarda Municipal de Ilhéus. O barraco desapareceu. A escadaria permanece. O ginásio continua recebendo atletas, estudantes e moradores. Mas quem viveu aquela época ainda consegue enxergar, através da memória, um homem caminhando lentamente com seu cajado, seus óculos remendados e um olhar perdido em horizontes que talvez apenas ele fosse capaz de contemplar.

Talvez Seu Luís nunca tenha desejado ser lembrado. Talvez buscasse apenas a paz que o mundo moderno insiste em negar. Mas cidades possuem um curioso hábito: eternizam justamente aqueles que nunca procuraram fama. Restaram poucas fotografias, alguns relatos, incontáveis histórias e um mistério que talvez jamais seja solucionado. Afinal, o Profeta existiu. Disso ninguém duvida. O que permanece envolto em névoa é tudo aquilo que a cidade acrescentou à sua história ao longo dos anos.

E talvez seja exatamente isso que o torne inesquecível.

Porque algumas pessoas passam pela vida.

Outras passam a fazer parte da alma de uma cidade.

Seu Luís, o Profeta, pertence definitivamente à segunda categoria.

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Crédito especial: Esta publicação foi produzida com a colaboração do extraordinário acervo da página Memória Visual de Ilhéus, idealizada e mantida por Carlos Mascarenhas, cujo trabalho de preservação da história e da memória afetiva do povo ilheense merece reconhecimento e gratidão.

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OLHAR PÚBLICO

"Onde a informação encontra a reflexão."

Thiago Viana Borges
Gestor Público (Aposentado) • Professor de Letras Vernáculas e Inglês • Editor • Redator e Consultor Político.


Manoelito Puentes

DRT 6455
 

RADIALISTA MANOELITO PUENTES SAI EM DEFESA DOS TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO APÓS PARALISAÇÃO EM ILHÉUS

 Categoria realizou uma paralisação de advertência e cobra da gestão municipal avanços na campanha salarial, isonomia no auxílio-alimentação e reajustes para aposentados que aderiram ao PDV e ao PDVE


O radialista Manoelito Puentes manifestou indignação diante da situação enfrentada pelos trabalhadores da educação da rede municipal de Ilhéus e criticou a falta de diálogo da administração do prefeito Valderico Júnior com a categoria.

Nesta sexta-feira, 31 de julho, profissionais da educação participaram de uma paralisação de advertência organizada pela APPI/APLB. O ato aconteceu em frente à sede da Prefeitura de Ilhéus e buscou pressionar o Executivo municipal a solucionar pendências da campanha salarial.

Entre as principais reivindicações está a conclusão das negociações relacionadas ao auxílio-alimentação. Segundo o sindicato, o princípio da isonomia teria sido desrespeitado após a Prefeitura firmar um acordo sobre o benefício com apenas uma entidade sindical, embora o assunto envolvesse outras categorias.

Os trabalhadores também cobram a concessão dos reajustes salariais aos aposentados e aposentadas que aderiram ao Programa de Demissão Voluntária, o PDV, e ao Programa de Desligamento Voluntário Especial, o PDVE. A entidade sindical afirma ainda que vinha solicitando reuniões, mas não recebia respostas suficientes da comissão responsável pelas negociaçõe.

Para Manoelito Puentes, a falta de diálogo demonstra uma preocupante ausência de sensibilidade com uma das classes mais importantes da sociedade.

“É lamentável que a educação não esteja recebendo a atenção e o respeito que merece. Os trabalhadores da educação são responsáveis pela formação das nossas crianças, dos nossos jovens e de todos os profissionais que ajudam a construir a sociedade.

Quando chega o meio-dia, chega para todos. Os professores, servidores, aposentados e demais trabalhadores da educação também possuem famílias, compromissos e necessidades. Não é aceitável que reivindicações legítimas sejam tratadas como uma disputa, uma queda de braço ou uma simples questão política.

A categoria não está pedindo privilégios. Está cobrando respeito, dignidade, valorização profissional e o cumprimento dos seus direitos.

A Bíblia ensina que cada pessoa colherá aquilo que semear. Por isso, precisamos refletir sobre o futuro que estamos construindo para a juventude de Ilhéus. O que nossos jovens poderão colher quando a educação e seus profissionais não são tratados como prioridade?

Sem diálogo, valorização e investimento na educação, não há abertura de novos horizontes. Sem uma educação de qualidade, não conseguimos preparar adequadamente nossos jovens para o futuro. Nenhuma cidade, estado ou país alcança verdadeiro desenvolvimento sem reconhecer a importância dos seus educadores.

Esperamos que o prefeito Valderico Júnior e sua equipe tenham a sensibilidade e a responsabilidade de sentar à mesa com os representantes da categoria, ouvir as reivindicações e apresentar soluções concretas.

Respeito, dignidade e diálogo são o mínimo que os trabalhadores da educação esperam de qualquer gestor público.

A educação não pode ser tratada com indiferença. Senhor prefeito, respeite os trabalhadores e as trabalhadoras da educação de Ilhéus.”

Manoelito Puentes
Radialista, DRT 6455/BA

A Cidade de Fachada

Conta-se que, em uma cidade litorânea do sul da Bahia, havia um prefeito apaixonado por flores, jardins e praças. Todos os dias ele percorria a cidade admirando os canteiros coloridos, os bancos recém-pintados e os enfeites espalhados pelas ruas. A cada nova praça inaugurada, promovia uma grande festa.


Enquanto isso, longe dos jardins, as estradas continuavam esburacadas.



Os viajantes sofriam para passar. Os médicos não tinham remédios para atender os doentes.



Os postos de saúde estavam sucateados.






As escolas envelheciam sem manutenção, e as crianças recebiam uma merenda cada vez mais pobre.



Pelas ruas, o lixo se acumulava e se espalhava, comprometendo a saúde pública e a qualidade de vida da população.



Os conselheiros alertavam:

— Prefeito, a cidade está adoecendo.

Mas o gestor respondia:

— Vejam como a praça está bonita! Não é isso que o povo quer ver?

E assim a população foi aprendendo uma dura lição: uma cidade pode até ganhar flores e novos enfeites, mas nenhum canteiro tapa buracos, nenhuma praça recolhe o lixo acumulado, nenhuma pintura substitui remédios, nenhuma reforma paisagística recupera postos de saúde, nenhuma obra ornamental melhora a merenda escolar e nenhum jardim resolve os problemas da infraestrutura.


É impressionante a disposição que alguns gestores demonstram para construir praças e enfeitar a cidade. Curiosamente, essa mesma energia desaparece quando o assunto é enfrentar os problemas reais que afetam o dia a dia da população.


Porque governar não é apenas deixar a cidade bonita para fotografias. É manter as ruas limpas, cuidar da saúde, da educação e da infraestrutura, garantindo dignidade a quem vive nela todos os dias.
No fim das contas, o povo não mora nas inaugurações. Mora na realidade.

Tradição secular e fé marcam festejos de Sant’Ana e São Joaquim no Rio do Engenho, em Ilhéus


A comunidade do Rio do Engenho, em Ilhéus, vive mais uma vez o clima de devoção e tradição com os festejos em homenagem a Senhora Sant’Ana e São Joaquim, celebrados nos dias 25 e 26 de julho. A programação reúne moradores, fiéis e visitantes em uma das manifestações religiosas mais simbólicas da região, marcada pela união entre espiritualidade, cultura e memória histórica.


Durante os festejos, a localidade se transforma em um ponto de encontro de gerações. Missas, momentos de oração e atividades comunitárias reforçam a religiosidade popular e mantêm viva uma tradição que atravessa séculos. Um dos momentos mais aguardados é a procissão fluvial, que percorre as águas até o Rio do Engenho, recriando um trajeto histórico e proporcionando uma experiência singular de fé e contemplação.


Mais do que um evento religioso, a celebração representa o fortalecimento dos laços comunitários e a preservação de costumes que fazem parte da identidade cultural de Ilhéus. A cada ano, a festa reafirma seu papel como um dos principais símbolos de resistência cultural e espiritual do sul da Bahia.


O cenário da celebração carrega um valor histórico inestimável. A Capela de Nossa Senhora de Sant’Ana, onde acontecem as homenagens, é considerada uma das construções religiosas mais antigas da região, com origem no século XVII. Inserida no contexto dos antigos engenhos coloniais, a capela remonta a um período em que o Rio do Engenho era um importante núcleo produtivo, ligado à economia açucareira e à presença de ordens religiosas.


As terras onde se encontra a capela foram ocupadas ainda no século XVI, quando missões religiosas se estabeleceram na região, contribuindo para a formação social e econômica local. Ao longo dos anos, o espaço se consolidou como um marco da história de Ilhéus, reunindo elementos que ajudam a compreender o processo de colonização e desenvolvimento do sul baiano.


Com arquitetura simples e traços característicos das construções rurais antigas, a capela permanece como símbolo de resistência histórica e de devoção popular. Sua preservação mantém viva a conexão entre passado e presente, transformando o Rio do Engenho em um verdadeiro patrimônio cultural.


Entre celebrações, procissões e encontros, os festejos de Sant’Ana e São Joaquim seguem reafirmando sua importância, não apenas como expressão de fé, mas como um elo entre história, tradição e identidade cultural.


Manoelito Puentes

DRT 6455

Cosme Araújo: O homem que Ilhéus nunca conseguiu calar




Advogado criminalista, quatro vezes vereador, ex-presidente da Câmara, opositor implacável e protagonista de uma das trajetórias mais controversas da política ilheense, Cosme Araújo retorna ao debate público exatamente como sempre fez: provocando reações.


Nos últimos dias, uma figura proeminente reassumiu seu espaço nas discussões políticas de Ilhéus. Bastaram algumas entrevistas em podcasts e veículos de comunicação para que um nome, aparentemente em recesso, voltasse a suscitar reações, evocar lembranças, polarizar opiniões e dinamizar debates. Não se tratou de um prefeito em exercício, nem de um deputado, tampouco de um secretário de governo. Tratava-se de Cosme Araújo Santos. Ou, como a cidade o reconheceu ao longo de mais de quatro décadas: “O Defensor”.



Poucas personalidades na política ilheense possuem uma trajetória tão marcante. Amado por alguns, contestado por outros, subestimado por adversários e respeitado até mesmo por aqueles que nunca o elegeram, Dr. Cosme jamais passou despercebido. No cenário político, há uma distinção substancial entre ser popular e ser inesquecível. Cosme talvez nunca tenha alcançado unanimidade, mas consolidou-se como uma das figuras mais notáveis da história política contemporânea de Ilhéus.



Advogado criminalista há mais de quarenta e cinco anos, vereador por quatro mandatos, ex-presidente da Câmara Municipal, procurador jurídico da União dos Vereadores do Brasil, suplente de deputado federal, defensor em alguns dos casos criminais mais repercutidos do país e protagonista de inúmeros embates políticos, Dr. Cosme construiu uma carreira que sempre transitou entre o Direito, a política e o espetáculo. Seria ingênuo negar que Cosme Araújo compreendeu, muito antes das redes sociais, que a política é também comunicação, e que a comunicação exige presença.



Nos tribunais, conquistou reputação pela combatividade. Na tribuna da Câmara, tornou-se um dos parlamentares mais assíduos e contundentes do Legislativo ilheense. No mandato entre 2013 e 2016, foi exemplo amplamente reconhecido, registrou presença integral nas sessões, liderou debates e propôs projetos que, curiosamente, afetavam a própria classe política, como a sugestão de redução dos subsídios dos vereadores. Décadas antes, presidiu os trabalhos que culminaram na promulgação da primeira Lei Orgânica do Município de Ilhéus, marco institucional da redemocratização local.



No entanto, seria um equívoco resumir Dr. Cosme Araújo apenas aos cargos que ocupou. Sua personalidade sempre se sobressaiu aos seus mandatos. Quem vivenciou a política ilheense sabe que ele nunca precisou de um cargo para continuar exercendo oposição. Mesmo após derrotas eleitorais, manteve-se ativo no debate público. Adquiriu um site de notícias, intitulou de: “O Defensor”, transformando denúncias da população em pauta permanente e fazendo do jornalismo uma extensão de sua atuação política. Foi também nesse período que consolidou uma parceria profissional com o jornalista Fábio Roberto, que mais tarde seguiria carreira independente como repórter investigativo e proprietário do portal que leva seu nome.



Foi também nesse período que protagonizou um dos episódios mais peculiares da comunicação regional ao contratar uma figura anônima, Dona Solange — conhecida posteriormente em todo o Brasil como “Solange, a Gaga de Ilhéus”. O que começou como uma cena de caráter quase folclórico transformou-se em fenômeno nacional, levando a personagem a programas humorísticos de televisão, inclusive ao lado de Tom Cavalcante.



Contudo, o aspecto folclórico nunca suplantou o profissionalismo. Cosme alcançou notoriedade nacional ao assumir a defesa da modelo Najila Trindade no controverso Caso Neymar, em 2019. Foi o quarto advogado a encarar uma das maiores crises midiáticas da carreira do jogador. A repercussão reposicionou Ilhéus no noticiário nacional por meio de um advogado que jamais hesitou em enfrentar casos considerados inviáveis.



Essa talvez seja sua principal característica. Cosme nunca selecionou causas fáceis. Defendeu adversários políticos históricos, como o ex-prefeito Valderico Reis e membros de sua família, evidenciando a distinção entre o advogado e o político: no âmbito jurídico, prevalece a técnica; nas urnas, prevalece a convicção. Poucos conseguem separar esses dois universos com a naturalidade que ele demonstrou ao longo de sua carreira.



Se há um nome que marcou o embate de sua trajetória política, esse nome é Jabes Ribeiro. Por décadas, estiveram em polos opostos da política local. Jabes quase sempre obteve vitórias nas urnas; Cosme quase sempre ocupou a oposição. E talvez precisamente por isso ambos tenham protagonizado uma das rivalidades políticas mais duradouras da história dessa cidade. Divergiam em praticamente todos os pontos, mas contribuíram, cada um à sua maneira, para moldar o debate político de Ilhéus por mais de trinta anos.



Nos últimos anos, em período sabático Cosme reduziu a intensidade de sua participação na vida pública. Amigos próximos atribuem esse afastamento a um tratamento de saúde enfrentado com muita discrição. Atualmente, o profissional dedica grande parte de seu tempo ao escritório Cosme Araújo & Kellyn Araújo Advocacia Criminal, onde compartilha experiência e protagonismo com sua filha, Dra. Kellyn Araújo, preparando uma nova geração de criminalistas sem abandonar a paixão pelos tribunais.



Aos 72 e ainda com uma verocidade juvenil, talvez seja prematuro afirmar se Cosme retornará ou não à política. Contudo, essa talvez não seja mais a questão central. A verdadeira indagação é outra: quantos personagens da política ilheense conseguem ausentar-se por alguns anos e, após concederem apenas duas ou três entrevistas, retornarem imediatamente ao centro das discussões da cidade?
Muito poucos. Pois cargos públicos são efêmeros. Mandatos se encerram. Eleições findam. Personagens, contudo, persistem.



Cosme Araújo pertence precisamente a essa categoria rara de figuras públicas que transcenderam a condição de político para se tornarem parte da memória coletiva de Ilhéus. Concorde-se ou não com suas posições, uma conclusão parece inegável: a história política da cidade pode ser narrada sem muitos personagens, mas sem Cosme Araújo, jamais.


Créditos: Vilela 24h


Manuelito Puentes

DRT - 6455

A palavra que o vento levou




Na política, existem dois patrimônios que nenhum mandato deveria desperdiçar: a confiança e a palavra. O voto pode abrir as portas do poder, mas é a credibilidade que mantém essas portas abertas.


Em Ilhéus, a mais recente movimentação política parece ter colocado um ponto final em uma novela que se desenrolava nos bastidores. Quem esperava ver o prefeito Valderico Júnior marchando ao lado de determinadas alianças já percebeu que o roteiro mudou. E, como acontece tantas vezes na política brasileira, mudaram também os compromissos, as expectativas e os discursos.


O grande ato político realizado no Boca du Mar reuniu milhares de pessoas e serviu não apenas para demonstrar força política, mas para deixar claro quem estará ao lado do governo municipal na disputa eleitoral que se aproxima. O gesto foi interpretado por muitos como um novo capítulo nas relações políticas da cidade.

Enquanto isso, um personagem importante dessa história chama a atenção não pelo que diz, mas pelo que não diz. Jabes Ribeiro silencia. Seu silêncio, em um momento de evidente rearranjo político, inevitavelmente desperta interpretações. Seria prudência? Estratégia? Resignação? Ou apenas a compreensão de que, na política, nem toda decepção encontra espaço para ser verbalizada?


Na política, romper acordos pode até fazer parte da estratégia. O problema começa quando essa prática deixa de ser exceção e passa a construir uma reputação. Afinal, quem promete muito e entrega pouco acaba convivendo com um desgaste silencioso: o da própria palavra.


Discursos emocionados, aplausos calorosos e fotografias de unidade sempre fazem parte do espetáculo político. Mas, depois que os refletores se apagam, permanece uma pergunta que a população nunca deixa de fazer: os compromissos assumidos hoje serão honrados amanhã?


O eleitor pode até esquecer um discurso. Pode esquecer uma solenidade ou um evento. O que dificilmente esquece é quando sente que sua confiança foi usada como moeda de ocasião.

E Jabes Ribeiro silencia. Às vezes, o silêncio comunica mais do que um pronunciamento. Na política, ele pode representar cautela, reflexão ou simplesmente a constatação de que determinadas respostas o tempo acaba oferecendo.


No fim das contas, a história ensina uma lição simples: governos passam, mandatos terminam e palanques são desmontados. A reputação, porém, permanece. E ela costuma ser escrita menos pelos discursos e muito mais pelo peso das atitudes.


Se o objetivo for uma crítica política mais contundente, em estilo de coluna jornalística, é possível reforçar o tom opinativo, desde que as conclusões sejam apresentadas claramente como interpretação e não como fatos estabelecidos.

Créditos: Hélio Ricardo

Manuelito Puentes

DRT - 6455

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